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| Jantando no "Three Bears em West Yellowstons, tentativa de trutas selvagens |
O nosso primeiro destino de hoje foi o lago do Yellowstone, junto a West Thumb, que para nós valeu pelo enquadramento que proporciona a uma área de caldeiras vulcânicas e pelas montanhas a leste cheias de neve que daqui se avistam. De resto, a viagem ao longo das margens é monótona, com a estrada continuamente rodeada de pinheiros nórdicos, não deixando ver para além das beiras.
A zona das caldeiras é interessante pelas cores das margens dalgumas delas, pela cor da água, ora azul ora verde, e pelas formações do fundo visível, às vezes parecendo corais. Surpreendente é como pequena vegetação rasteira, sobrevive no meio daquele mar de lamas e águas escaldantes a mais de 70 graus. Pudemos ver ainda nesta zona as chaminés dalguns geysers inactivos, alguns dos quais estão já dentro do lago, qual escape dum foguetão ali caído e arrefecido bruscamente.



Em muitos locais as estradas correm ao longo de rios tipicamente de montanha, de caudal rápido e águas gelada, ricos em trutas. Em muitos deles é frequente vermos homens isolados, metidos dentro de água quase até à cintura, pescando trutas naquele jeito que nos habituámos em ver em tantos filmes americanos. Curiosamente na noite de ontem fomos jantar ao restaurante Three Bears, aqui em West Yellowstone com a certeza de iríamos provar as delícias trutas destes rios. Qual o quê? Pensam que estão em Bragança a comer trutas do rio Sabor? Aqui, só trutas de aviário. Definitivamente este país não é o local certo para o paladar dos portugueses.



Na zona conhecida como Canyon Village, estivemos no Artist Point do qual vimos uma das quedas de água gigantes do rio Yellowstone, mas o mais interessante são as encostas do canyon pelo seu colorido variado de amarelos a castanhos, de esverdeados a avermelhados, o que é provocado por bactérias que por ali vivem. Aproveitámos esta paragem para o nosso almoço volante, de sandes em pão de forma comprado no supermercado de West Yellowstone, para suprirmos a carência no interior do parque, onde nesta altura tudo o que diz respeito a cama e mesa está encerrado.





Continuámos a ver animais selvagens com muita frequência, especialmente nas primeiras horas da manhã, quando eles andam a alimentar-se nas pastagens. Os mais frequentes são os bisontes, que isolados ou em manadas nos atraem sempre , mas os gamos e os alces também aparecem muito, destacando-se os machos com a sua armadura de cornos e olho sempre atento às invasões de intrusos. Patos, cisnes e gansos, mais fugidios, vão surgindo ao longo dos rios, e conseguimos mesmo ver um lobo. Ficámos com pena de não vermos ao menos um urso, que é uma das imagens de marca deste Parque.




Na tentativa de subirmos pela estrada a leste que passa por Tower Falls ao ponto mais a norte do Parque, esbarrámos com a estrada fechada em Canyon devido à neve. Nesta altura estávamos a cerca de 2400 metros de altitude e vínhamos apanhando troços de estrada com neve e gelo de há dois dias. Como a estrada ainda haveria de subir bem mais, as condições deveriam ser perigosas e os nossos amigos rangers resolveram fechar o troço norte.
Mas fomos pela estrada mais a oeste, por Norris, até à entrada norte, conhecida por Mammoth Hot Springs, onde funciona a sede administrativa do parque. Fácil, porque tudo aqui está muito bem sinalizado e o GPS que o Gonçalo nos emprestou funciona na perfeição.

Este (Mammoth) é sem dúvida um lugar imperdível pela beleza dos vários terraços, os quais são constituídos por várias pequenas caldeiras, por “açafates” redondos de bordas e fundos com colorações vivas muito diversas, por “teias de aranha” emaranhadas noutras formações escorrentes pelas ribanceiras e por pequenas e grandes lagoas com bordos e fundos de riquíssimas formas e cores (aquelas cores que só a natureza sabe produzir, seja na matéria inerte, seja nas colorações das cores das penas das aves tropicais). Nalgumas destas formações a natureza caprichou em juntar os vários elementos para que o conjunto fosse harmonioso nas cores e nas formas. 
O mais espantoso é o aparecimento de vários tons de branco, que mais parecem de neve, mas que, na verdade, são resultado de alterações da matéria provocadas por bactérias (leio que cientistas têm estudado como é que bactérias de vários tipos vivem em condições tão extremas e como destes estudos podem sair bons resultados para a humanidade). Mais uma vez, não consigo descrever tanta beleza. As fotos dão uma ideia do que isto é, mas o melhor é cá vir e apreciar.
Este terá sido o último local interessante antes do final da nossa viagem, já que amanhã se prevê queda de neve e por isso não deveremos ter acesso ao Parque Nacional Teton, que seria a nossa última visita a Parques Nacionais . Mas este fecho de hoje foi mesmo com chave de ouro.