domingo, 31 de outubro de 2010

Pelo Teton NP sem neve e com urso à vista

São cerca de 7 da tarde de sábado, dia 30 de Outubro, em Jackson Hole, Wyoming, dia das bruxas nos EUA, e já estamos instalados no nosso excelente hotel da cadeia Best Western. Esta pequena cidade de 10 000 habitantes é uma estância de montanha, situada a cerca de 1900 metros de altitude, que tem aqui mesmo ao lado pistas de ski. É muito simpática em termos de urbanismo, com casas todas rasteiras e um zona central com uma praça e várias ruas cheias de pequenas lojas, claramente viradas para os desejos consumistas dos turistas. Nesta zona de comércio circula-se em passeios cobertos por autênticos alpendres das várias lojas adjacentes, cujo piso, paredes e tectos são quase sempre em madeira. Foi um paraíso para comprarmos as prendas e recordações de última hora. Mas estamos numa estância de ski chique da América e, se a vida neste grande país já é cara (apesar do dólar em baixa), aqui em Jackson as coisas são caríssimas.
Jackson dispõe dum aeroporto capaz de suportar aviões de grande porte, e será daqui que amanhã faremos a nossa viagem de regresso a Portugal, com escala em Denver e em Frankfurt. Devolveremos à Avis uma excelente carrinha Chevrolet  Suburvan de 7 lugares, que nos foi entregue quase nova em folha, mas que agora tem mais cerca de 4500 kms e uma carga adicional de lama adquirida especialmente no Monument Valley.
Por cerca de 950 euros, foi uma excelente opção. Mais uma vez a Avis é excelente na qualidade das viaturas e do serviço que presta.
 
Para aqui chegarmos percorremos hoje durante a manhã cerca de 150 kms através do Parque Nacional Yellowstone (estrada repetida por força das circunstâncias) e do Teton NP. Este último, que tivemos em risco de não ver, por eventualmente a estrada estar encerrada devido à neve que estava prevista cair hoje, revelou-se uma excelente surpresa. Percorremos de norte para sul uma estrada situada uma altitude média de 2300 metros, perseguindo numa boa parte do percurso rios e lagos que reflectiam as montanhas do Grand Teton (pico mais alto a 4000 metros). Esta cadeia montanhosa é formada por montanhas jovens, com picos aguçados, do tipo dos Alpes suíços. Aliás todo este percurso faz lembrar algo que conhecemos dos vales da Suíça rodeados de montanhas nevadas no inverno. São sempre imagens de grande beleza, estas das montanhas reflectidas nos lagos.



Mas o melhor desta investida no Teton foi a visão dum urso em estado selvagem no seu ambiente, coisa de que já tínhamos perdido a esperança. Foi ao desfazer duma curva, numa parte da estrada rodeada de mata de pinheiros nórdicos, que vimos um carro que seguia na nossa direcção parado em plena via. Como é normal aqui, sempre que há carro parado em lugar ermo, há bicho importante de observar por perto. E desta vez era o nosso urso. Lá estava ele, à nossa esquerda, a cerca de 30 metros, caminhando pela neve mata adentro, depois de ter atravessado a estrada no local em que parámos. Era um animal enorme, de cor muito escura, mas não conseguimos saber exactamente de que tipo era, já que a sua cor não nos aparecia bem definida. Caminhou lenta, mas decididamente para o interior da floresta, deixando-nos a vontade de o seguirmos. E sentimos o dia ganho com esta visão.

 
Mas ainda não nos tínhamos refeito desta emoção, quando, daí a pouco, numa zona aberta, com um grande lago e montanha à vista, num lameiro amarelecido, detectámos (o Aníbal detectou…) uma raposa caçando, em sucessivos saltos sobre o que imaginámos ser presas pequenas, tipo rato. Lindo!

 
E assim chegámos ao fim desta nossa viagem por estes excelentes parques dos EUA. Valeu, muito, muito a pena, como se pode deduzir por tudo o que deixei escrito nas mensagens deste blog, que, podendo embora ser útil para dar ideias a outros, será para nós uma memória futura do que aqui vivemos. Hoje, daqui a pouco, após o jantar, iremos terminar o nosso convívio com uma ida a um saloon típico, chamado Million Dollar Cowboy Bar, que tem música country ao vivo, pista de dança e ambiente kitsch do oeste. Um fecho à maneira.
Não posso terminar sem referir os nossos queridos amigos, companheiros de sempre destas viagens, Fernanda, Carolina, Tó e Luís, que desta vez não puderam dizer presente. Voltaremos todos juntos numa próxima oportunidade, se a crise deixar.