quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Arches NP e Canyonlands NP


Ontem falhei o blog porque a rede no hotel estava má, mas foi uma boa oportunidade para por o sono em dia. Estamos agora com 7 horas de diferença para Portugal e isso pesa no nosso relógio biológico, que ainda não se adaptou totalmente a estes fusos.
Escrevo de Salte Lake City, às 5 da tarde, no Hotel Rodeway Inn (centro da cidade, 49 USD  por noite mais IVA, com pequeno almoço e internet grátis, um espanto!), enquanto as senhoras andam às compras no Gateway Mall (estação ferroviária lindíssima, transformada em shopping center). Aqui à volta as montanhas já têm um nevão que caiu esta noite e a temperatura é de 5 graus. Mas como está sol e não há vento, anda-se bem. Fizemos durante a manhã a viagem de Moab para aqui em cerca de 4 horas, apenas com uma paragem para café. Como é usual nos EUA viemos com velocidade máxima controlada com medo das várias  Highway Patrol que avistámos, 75 milhas (120 kms/h) na auto-estrada e 65 milhas (100 kms/h) na estrada normal. Dá segurança e poupa na gasolina ( a nossa pesada máquina gasta cerca de 25 litros aos 100, mas a gasolina é a 60 cêntimos do euro).
Já em Salt Lake, tirámos a barriga de  misérias com  almoço numa churrascaria brasileira, constando dum rodízio à medida. Esta é uma etapa de transição entre os parques nacionais desérticos, mais a sul, de paisagens imponentes, para o Yellowstone NP e o Teton NP, os quais são verdes, de montanha e vividos por grandes mamíferos. Depois de tantos dias de "campo" já sabe bem passar umas horas numa grande cidade.
Mas vamos lá falar do dia de ontem, cujas aventuras são ilustrados pelas fotos desta mensagem. Iniciámos o dia às 8 horas pelo Visitor Center do Arches NP, escolhemos o roteiro que nos ocuparia a manhã toda até às 13h30, e avançámos para os cerca de 25 kms de estrada e mais 5 em trilho a pé em dois locais. Este Parque Nacional, um dos mais visitados dos EUA, vale pelas estranhas formas e enormes dimensões dos maciços rochosos avermelhados que o compõem. Dos seus cerca de 2000 arcos vimos apenas os mais afamados e imponentes. Eles são o produto de milhões de anos de erosão provocada pelo vento, pela chuva e pelo gelo, sendo que uma parte da rocha mais “dura” resistiu até hoje deixando à nossa vista estas formas bizarras de arcos em rocha, alguns deles de dimensões colossais. Esmagador e belo.

Onde não há arcos há enormes blocos de rocha, muitos monoblocos com 70 ou 80 metros de altura e mais de 150 metros de comprimento sem que se aviste qualquer fenda, mas com formas e colorações variadas que deixam a nossa imaginação ver a ópera de Paris ou uma grande catedral europeia.
De dimensões mais reduzidas, encontramos pequenas florestas de formações rochosas com os topos arredondados, em grandes sequências, ora em crescendo para a direita, ora para trás, aqui e além com uma ou outra árvore que teimou em nascer ali e resistir  em tão agreste ambiente.

Para chegar a alguns dos arcos temos que percorrer trilhos a pé e, mais uma vez, ficámos deslumbrados com a excelência dos Parques Nacionais americanos: tudo muito bem organizado e sinalizado, WC’s de higiene irrepreensível na entrada de todos os trilhos, limpeza perfeita em todos os locais (não conseguimos ver um papel ou uma ponta de cigarro no chão), à entrada de cada parque há sempre um Visitor’s Center tripulado por rangers simpatiquissímos e que prestam as informações necessárias para organizarmos a nossa visita em função dos nossos interesses e tempo disponível; e o preço que se paga até é quase simbólico: em geral pagamos 10 USD pela viatura para a entrada no parque com direito a mapa e tudo, mas por 80 USD podemos comprar um passe que dá pata todos os Parques Nacionais.
De tarde visitámos o Canyonlands NP e o Dead  Horse Point State ParK. O primeiro tem canyons gigantescos, mas depois de termos visto o Grand Canyon já nada nos impressiona. Mas o Dead Hosrse é fabuloso: vemos um canyon enorme, com o rio Colorado a correr no fundo, cheio de curvas a formar várias ferraduras, com um desnível de cerca de 600 metros em relação ao ponto em que nos situamos.


De tarde visitámos o Canyonlands NP e o Dead  Horse Point State ParK. O primeiro tem canyons gigantescos, mas depois de termos visto o Grand Canyon já nada nos impressiona. Mas o Dead Hosrse é fabuloso: vemos um canyon enorme, com o rio Colorado a correr no fundo, cheio de curvas a formas várias ferraduras, com um desnível de cerca de 600 metros em relação ao ponto em que nos situamos; um pouco mais afastado ve-se duas salinas a espelhar o branco do sal e da água quase sólida, no limite do horizonte as montanhas já nevadas La Sal; noutra direcção, a poente, já lá vem o Green River, a caminho do enlace com o Colorado, cavando sulcos aos ss no canyon castanho-avermelhado. Sublime!
Fica-se ali quieto por alguns minutos, enchendo a vista, apreciando o silêncio (nem aves por ali há) e imaginando como foi e como será aquele local milhões de anos para trás e para a frente, que seres ali viveram e viverão, passaram e passarão. Quantas declarações de amor eterno ali foram inspiradas e ditadas ao ouvido da amada(o) (sim, temos visto muitos pares de homens por estes locais...).
Vista das La Sal Mountains através do Mesa Arch na Sky Island - Canyonland NP
Rematámos a primeira parte da nossa viagem com o local que está nesta foto acima. Melhor não podia ser.